quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

O Marginal e o Real na Ciência de Fringe

Vários casos, infinitas impossibilidades. A ciência marginal de Fringe concebida no universo criado por J.J. Abrams é realmente fantástica. Muitas vezes misturando o real com o imaginário e com o absurdo, um dos maiores méritos desta produção é o de justamente adotar um tom sóbrio e de plausibilidade para as situações mais bizarras que são objeto de investigação por Olivia Dunham, Peter e Walter Bishop. Mas por incrível que pareça, muitos dos conceitos que podemos atribuir logo de cara como pura ficção, na verdade tem sim certo fundamento real e, quem sabe, algum dia podem até ter uma aplicabilidade prática em nosso mundo. É isso que a sagaz colega Camila Picheth descobriu após uma considerável pesquisa que ela gentilmente cedeu para publicação aqui no blog. Afinal, o que são aqueles conceitos que aparecem na abertura de Fringe?


Psicocinesia

É a habilidade de mover e/ou afetar objetos físicos usando apenas o poder da mente. Teoricamente, a psicocinese (ou telecinese) pode se manifestar em qualquer pessoa. Todos possuem faculdades parapsicológicas, mas poucos a desenvolvem. No entanto, a maioria dos parapsicólogos afirmam que tais fenômenos seriam espontâneos, involuntários e incontroláveis, diferente do que acontece, por exemplo, com o Sylar de Heroes. Alguns cientistas já tentaram, e ainda tentam, provar que existem pessoas com essa capacidade, como o cientista Garret Moddel. O que é realidade por enquanto é uma nova tecnologia que pode tornar as pessoas eletronicamente telecinéticas. O projeto consiste em um capacete com eletrodos capaz de captar ondas cerebrais para influenciar o ambiente virtual de alguma forma.

Teletransporte

É a transferência de um objeto de um lugar para outro, de maneira rápida e sem precisar percorrer o caminho normal. Antes idealizado em clássicas séries de ficção, e em Fringe com o incidente envolvendo o Sr. Jones, o teletransporte já se tornou algo real de certa forma. Em 1998, físicos do Caltech (California Institute of Technology), junto a dois grupos europeus, conseguiram teleportar uma partícula de energia que carrega luz, o fóton. No começo de 2009 ano, outro grupo de pesquisadores norte-americanos na Universidade de Maryland teve sucesso em transmitir, pela primeira vez, um átomo pela distância de um metro. Isso quer dizer que em pouco tempo o novo meio de transporte será o teletransporte? Na verdade não. Para chegar no ponto que vimos em Fringe, existe um longo caminho a ser percorrido. Mesmo se os pesquisadores desenvolverem a capacidade de teletransportar um ser humano a vários metros, isso ainda gera um problema maior: quando uma partícula é teleportada, uma cópia identica do objeto é criada no ponto de destino, destruindo o original. Se fôssemos os teletransportados, o que estaria andando pelas cidades seriam nossos clones, pois o original seria, em tese, destruído.

Nanotecnologia

Em uma simples definição, a nanotecnologia consiste no uso de átomos para a construção de estruturas e novos materiais. Hoje diversas áreas como a medicina, a química e a biologia estão associadas com esta nova tecnologia. Ela foi desenvolvida no Japão e já se mostra promissora mesmo em seus primeiros passos, como na produção de biomateriais, chips e nanocompósitos. Um exemplo do que a nanotecnologia pode ser capaz no futuro é um aparelho parecido com um microondas. A nanotecnologia tem o potencial de trazer benefícios em áreas, como nas construções (rodovias ou túneis se autoconstruindo), na alimentação (recriar alimentos a partir do ar e de alguns resíduos), na medicina (nanorobôs capazes de destruir agentes infecciosos ou mesmo reparar o DNA danificado), na ecologia (a limpeza de todo o lixo acumulado no planeta), no espaço (fabricação de foguetes e estações orbitais e até permitir a habitação de outros planetas). Infelizmente, toda essa pesquisa pode ser usada também no armamento de um país. Podem ser criados milhões de mínusculos robôs voadores capazes de se infiltrar em qualquer ambiente e nanovírus capazes de fazer um estrago inimaginável.

Inteligência Artificial

É uma área que busca desenvolver métodos ou dispositivos que tornem sistemas computacionais capazes de simular ou possuir a capacidade humana de raciocinar e resolver problemas. Já existem programas que possuem certo nível de inteligência, como A.L.I.C.E e Allan – alguns chatterbots (programa que responde a perguntas como se fosse um humano); ELIZA (programa que simula um psicoterapeuta) e outro que aprende ao ler textos e jornais públicos, o Córtex. Vários games também utilizam softwares com aplicações desta tecnologia. No entanto, ainda não foi criado (ou anunciado) nenhum programa com total inteligência artificial. Isso implicaria, certamente, em várias questões, até mesmo de ordem ética e moral.

Animação Suspensa

Consiste numa técnica em que o corpo de um organismo vivo é esfriado até que suas funções vitais parem de funcionar e depois retorne a vida sem nenhum tipo de dano. Em 2006, cientistas norte-americanos fizeram um experimento com porcos, simulando um episódio grave que poderia acontecer com seres humanos na mesa de cirurgia. A temperatura corpórea dos porcos foi reduzida até 10ºC com uma solução salina fria, durante vinte minutos. No ano passado, pesquisadores de Massachusetts induziram ratos a animação suspensa durante vários minutos usando sulfeto de hidrogênio. Ambos casos com porcos e ratos foram bem-sucedidos ao reanimarem os animais sem danos. Em 2001, no Canadá, existe o registro de um bebê de apenas um ano de idade que engatinhou para fora de casa numa noite que fazia 0ºC. Sua mãe a encontrou duas horas depois, congelado e sem sinais vitais. Quando chegou ao hospital, foi aquecida e ressuscitada, sem qualquer sequela do acidente. Já em 2006, foi um homem de 35 anos que se congelou durante uma escalada nos arredores do Japão. Ele foi resgatado 24 horas depois, foi considerado morto por não possuir sinal vital, mas ao chegar ao hospital ele simplesmente acordou, novamente sem nenhuma sequela. Todas essas pesquisas fazem que em um futuro talvez não tão distante essa técnica possa ser utilizada em hospitais e no espaço (a Agência Espacial Européia pretende viabilizar tal técnica para uma viajem até Marte prevista para 2030). Atualmente existem algumas indústrias que oferecem uma criogenização após a morte, caso uma cura seja criada para a doença que o matou. Isso não lembra Vanilla Sky?

Matéria Negra

É a matéria que representa em torno de 90% do universo e é responsável pela gravidade necessária para mantê-lo unido. Os outros 10% são a matéria normal, que podemos ver e tocar. Durante muito tempo, a matéria negra (ou matéria escura) não passou de uma teoria, mas em 2006 cientistas norte-americanos conseguiram provar sua existência. Vislumbra-se que tal elemento pode ser decisivo no destino do nosso universo. Observações recentes mostram que o universo está aumentando, o que sugere a possibilidade que todas as galáxias se afastarão umas das outras, tornando o espaço cada vez mais frio e escuro.

Curioso, não é mesmo? Camila Picheth, que compilou estes dados, escreve para o SérieManíacos.

Fonte: http://colunistas.ig.com.br/ligadoemserie/2009/08/24/o-marginal-e-o-real-na-ciencia-de-fringe/

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